O Diferencial do Psicólogo Coach

Para o Psicólogo Coach, o mais importante não é apenas a meta profissional ou alvo, mas sim a essência, a pessoa enquanto ser humano que contém o profissional como um de seus papéis. A meta e os recursos materiais são importantes, mas são apenas parte dos objetivos, contudo o fundamental é o desenvolvimento humano e pessoal daquele que está totalmente implicado nessa história, o cliente (o coachee).

Constantemente tenho me deparado com a percepção superficial das pessoas acerca da real importância sobre uma reflexão profunda e fundamentada sobre o autoconhecimento em suas vidas e trabalho. As ferramentas, processos estruturados de coaching não podem ser um fim em si mesmos. O prazo e o passo-a-passo tem que estar a serviço daquilo que o cliente estiver demandando em cada momento. Desenvolvimento humano vai além de um roteiro e um profissional verdadeiramente preparado deve conhecer a fundo a natureza humana.

Noto também, que é ainda mais difícil a percepção destas, sobre como efetivamente a metodologia e fundamentos que empregamos na prática da psicologia nos processos de desenvolvimento, tanto no caso de coaching como nos treinamentos, podem de fato ajudar as pessoas a melhorarem em seu trabalho e no atendimento de seus objetivos.

Portanto, passo nas próximas linhas a mencionar a estória do arqueiro, acreditando que possa contribuir com esse fim, mostrando “a essência” desse tipo de trabalho.

O ARQUEIRO E O ALVO, Um conto Zen –  No Japão, um mestre estava ensinando a arte do arco-e-flecha a um discípulo, que se tornou tecnicamente perfeito – não errava nenhum alvo. Um dia ele perguntou ao mestre: Agora, o que resta aprender aqui? Posso ir embora?

O Mestre respondeu: Você pode ir, mas não aprendeu nem o bê-á-bá da minha arte. Então o discípulo disse: O bê-á-bá de sua arte? Mas eu sempre acerto o alvo! O mestre replicou: Quem está falando de alvo? Qualquer tolo pode fazer isso, basta praticar. Isso não tem nada de mais; agora é que começa a verdade.

Quando o arqueiro pega o arco e a flecha e mira o alvo, há três coisas aí: uma é o arqueiro, o mais fundamental e básico, ele é a fonte, a essência;  depois há a flecha, aquilo que passará do arqueiro para o alvo; e depois há o “olho do touro”, o alvo, o ponto mais distante.

Se você acertou o alvo, atingiu o mais distante, tocou na periferia. Você precisa tocar na fonte. Você se tornou tecnicamente um especialista em atingir o alvo; mas se estiver tentando penetrar nas águas profundas isso não é muito. Você é um especialista, uma pessoa de conhecimento, mas não de sabedoria.

A flecha se movimenta a partir de você, mas você não sabe de que fonte vem a energia que a movimenta e qual é essa energia. Como ela se movimenta? Quem a movimenta? Você não sabe isso, não conhece o arqueiro.

Você pratica arco e flecha, acerta o alvo, sua pontaria é 100% perfeita, você se tornou eficiente, com um nível de perfeição de 100%, mas isso se refere ao alvo. E você, o arqueiro? Algo aconteceu com você? A sua consciência sobre você mesmo aumentou só com esse acerto? Não, nada mudou. Você continua  sendo um técnico, não um artista.

Você vê as flores de uma árvore, mas esse não é o conhecimento real, a menos que você penetre fundo e conheça as raízes. As flores dependem das raízes e são nada mais do que a expressão da essência das raízes. As raízes carregam a poesia, a fonte e a seiva que se tornarão flores, frutos e folhas.

E, se você contar apenas com as flores, os frutos e as folhas e nunca penetrar na escuridão da terra, nunca entenderá a árvore, pois ela está nas raízes.

(estória extraída da apostila de Coaching com Psicodrama –  Joceli Drumond)

Nossa sociedade acaba por nos turvar os olhos, desviar nossa atenção e a nos forçar a acelerar em busca de resultados imediatos e como consequência passamos a replicar a conduta de esquecer que resultados de fato melhores, são resultado de profunda reflexão, persistente trabalho sobre nossa essência e até mesmo nossas relações.

A velocidade de um jato ou de um carro fórmula 1 não existe sem um esforço profundo e demorado.

Artur Fernandes