Habilidade Política – Uma competência estratégica para a gestão do estresse do líder – Parte 4

Nos três textos anteriores desta sequência, falamos sobre nosso entendimento acerca do conceito Habilidade Política apresentados durante palestra no 17º Congresso Internacional de Stress da ISMA (International Stress Management Association), ocorrido na terceira semana de junho deste ano, por Pamela L. Perrewé, PhD (EUA) e Gerald R. Ferris, PhD (EUA), dois pesquisadores psicólogos da Florida State University.

Procuramos relacioná-lo com o conceito de inteligência emocional proposto pelo psicólogo de Harvard Daniel Goleman e discorremos sobre as principais dimensões que compreendem a competência identificada como habilidade política, que segundo eles são: Astúcia Social, Influência Interpessoal, Habilidade de Criar Redes e Sinceridade Aparente, além de comentarmos sobre mais algumas habilidades relacionadas.

A seguir passo a apresentar o que eles sugeriram para promover o desenvolvimento dessa habilidade e ao final fecharemos com algumas opiniões e conclusões.

Sugestões para Desenvolvimento de Habilidade Política nos Gestores

Os pesquisadores propuseram algumas técnicas, recursos e procedimentos para serem usados como forma de desenvolvimento da habilidade política nos gestores direcionados para 04 das principais habilidades identificadas e mencionadas acima.

Para desenvolvimento da “astúcia”, a capacidade de entendimento eficaz, sugerem exercícios de sessões de crítica e feedback, podendo realizar sessões de psicodrama para simular situações de tensão e conflito.

Para o desenvolvimento da habilidade de “influência interpessoal”, eles sugerem treinamentos de liderança, modelagem e simulação de comportamentos, aliados a sessões de mentoring e coaching executivo.

Para o desenvolvimento da habilidade de “desenvolvimento de redes sociais” propõe treinos baseados em equipes e aconselhamentos.

Finalmente, para o desenvolvimento da habilidade de “sinceridade percebida”, sugerem treinamento em sessões de teatro e coaching de performance.

As propostas apresentadas e testadas pelos psicólogos, ao meu ver visam expor o gestor, em situação protegida de julgamentos e de consequências do mundo real, a desafios de coordenação de equipes para o cumprimento de metas, através de exercícios simulados. Pode proporcionar a verificação do estilo de liderança mais adequado frente a situação proposta no treinamento, bem como estimular ao lider a melhor percepção do momento de maturidade de seus liderados, tal como proposto através dos conceitos de liderança situacional.

As sessões de teatro ao meu ver podem ser um excelente instrumento, notadamente para o desenvolvimento da habilidade de autenticidade e coerência, componentes intrínsecos do conceito de “sinceridade percebida”, pois como costumo dizer um ator precisa “emprestar” suas emoções para o exercício de seus papéis e se o faz de maneira falsa o público percebe, pois não convence. Fica artificial. Somente ao “tocar” suas próprias emoções um ator consegue transmitir verdade ao seu personagem. Da mesma forma, um treinamento que leve o líder a “tocar” suas emoções no exercício de um papel o ajudará a desenvolver a autenticidade e coerência necessárias ao exercício da liderança em situações reais.

Através das sessões de mentoring e coaching e a partir das vivências reais dos líderes, pode-se focar nas competências ou habilidades percebidas como inadequadas ou que demandem aprimoramento. Sempre tendo como norteador as habilidades que fazem parte do escopo da competência política.

Conclusões e Proposições

Uma das questões que me chamou atenção foi a aplicabilidade desse novo enfoque acerca das competências emocionais. Acredito que fica mais fácil compreender e viabilizar os encaminhamentos para o desenvolvimento da habilidade política de líderes através de treinamentos mais específicos.

Outra questão se refere a identificação de líderes e colaboradores que já tem, em certo grau de maturidade, essa capacidade desenvolvida. Dessa forma pode-se cooptar esses líderes para trabalhos de gestão de mudanças ou mesmo como “padrinhos” de solução de conflitos e situações estressantes.

Finalmente, uma das coisas que me ocorreu durante o desenvolvimento dos textos anteriores, é que as competências emocionais citadas como presentes desempenham um papel fundamental na construção de respostas resilientes. Em minha prática de coaching em Gestão do Estresse, uso testes para a identificação dos níveis de estresse e também de Capacidades de Resiliência. Em próximo artigo, pretendo relacionar de forma mais sistemática essa habilidade política com as habilidades de resiliência apresentadas por Tábata Cardoso e Maria do Carmo Fernandes Martins, no instrumento Escala dos Pilares de Resiliência.

A partir dessa constatação, me ocorreu a necessidade de se desenvolver uma pesquisa para identificar como a habilidade política se manifesta nos líderes aqui no Brasil. Fica a proposta e a disponibilidade para empreender esse desafio.