Habilidade Política – Uma competência estratégica para a gestão do estresse do líder – Parte 3

Na parte 2 falamos sobre as principais dimensões que compreendem a competência identificada por Pamela L. Perrewé, PhD (EUA) e Gerald R. Ferris, PhD (EUA), dois pesquisadores psicólogos da Florida State University, mapeadas em suas pesquisas como habilidade política, que são: Astúcia Social; Influência Interpessoal; Habilidade de Criar Redes e Sinceridade Aparente.
Relembrando, a partir dos resultados de suas pesquisas apresentadas em palestra durante 17º Congresso Internacional de Stress da ISMA (International Stress Management Association), ocorrido na terceira semana de junho deste ano, a Habilidade Política é vista como uma competência que pode ser um diferencial no ambiente corporativo, para a redução e gestão do estresse tão comum entre líderes. Nesta terceira parte discorro sobre mais algumas habilidades que a complementam, segundo esses psicólogos.

Controle

Manter o controle foi identificado por Pamela L. Perrewé e Gerald R. Ferris, como a habilidade de encarar os eventos estressores não apenas como ameaças mas como oportunidades. Mais uma vez podemos correlacionar com a competência emocional auto-controle. Essa competência representa a capacidade de gerir a tensão, os sentimentos de euforia, raiva, entre outros.
Pode-se perceber que a correlação procede uma vez que ao fazer a gestão das emoções o gestor além de manter seu nível de estresse sob controle, se permite perceber e discernir oportunidades mesmo em meio a conflitos e crises que afetam o humor dos participantes.

Entendimento

De acordo com Pamela e Gerald a intuição, junto com as capacidades de reflexão e interpretação complementam o rol de habilidades na gestão e redução do estresse.

A intuição tem sido uma ferramenta muito usada por líderes em momentos de estresse. Nos momentos de tensão elevada é comum uma perda de funções cognitivas, como a concentração, atenção e memória operacional, esta última grande responsável pela elaboração de raciocínios complexos. Sendo assim, em momentos de estresse, poder usar uma habilidade que possibilite fazer conexões usando processos perceptivos aliados à emoção, algo popularmente chamado também de “feeling”, pode fazer muita diferença nos resultados e na própria redução do estresse dos gestores e demais envolvidos.

Aquisição de recursos

Finalmente Pamela e Gerald também identificaram em suas pesquisas a capacidade de ampliar os conhecimentos e de alavancar os recursos de que dispõe, como também determinantes do processo de diminuição do estresse dos gestores.

A capacidade de aprender com o novo, de buscar complementação para os saberes de que já dispõe tem sido cada vez mais percebida e praticada pelos gestores. Sabemos que o estresse é definido como a falta ou inadequação de recursos para enfrentamento e resolução de situações vistas como estressoras. Um gestor que consegue ser hábil no processo de aquisição de recursos, melhora suas chances de conseguir mais qualidade de vida no seu trabalho.

Além disso, essa habilidade para aprender indica uma abertura para a aprendizagem a respeito de si mesmo. O que se alinha à competência emocional auto consciência já proposta por Daniel Goleman.

Efeitos positivos da habilidade política na gestão do estresse

De forma simplificada, Pamela e Gerald informaram que pode ser percebido que os gestores com maior habilidade política obtiveram os seguintes efeitos positivos:

• Um aumento nos indicadores de auto confiança,
• Melhora nas avaliações sobre as relações entre fato estressor e tensão sentida pelo gestor;
• Perceberam melhor e de forma mais clara seus ambientes, diferenciando situações realmente estressantes de outras;
• Tiveram um efeito neutralizador pelo exercício dessa competência política;
• Foram mais eficazes na solução de problemas, além de se perceberem mais eficazes (auto-eficácia);
• Melhoraram seu status frente aos outros;
• Percepção dos conflitos de forma mais estável.